ELIANA CAMINADA

ELIANA CAMINADA ESTUDOU COM TATIANA LESKOVA. FOI BAILARINA-SOLISTA DO THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, PRIMEIRA-BAILARINA DO BALÉ GUAÍRA E ARTISTA CONVIDADA EM VÁRIAS COMPANHIAS NO BRASIL. DOCENTE EM CURSOS SUPERIORES DE DANÇA NAS CADEIRAS DE HISTÓRIA DA DANÇA, TÉCNICA DE BALLET CLÁSSICO E REPERTÓRIO, DESTACOU-SE COMO PESQUISADORA DE HISTÓRIA DA DANÇA. ESCREVEU O LIVRO, ESGOTADO, HISTÓRIA DA DANÇA – EVOLUÇÃO CULTURAL, ENSAIOS PARA A SPCD, LIVROS BIOGRÁFICOS E ARTIGOS SOBRE DANÇA. INTEGROU O CONSELHO ARTÍSTICO DO FESTIVAL DE DANÇA DE JOINVILLE NO PERÍODO 2007/2009 E TEM O PARECER CIRCUNSTANCIADO FAVORÁVEL, CONCEDIDO POR UNANIMIDADE, PELA COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE – UFF, DE RECONHECIMENTO POR NOTÓRIO SABER. RECEBEU A MEDALHA DA UNESCO/CONSELHO BRASILEIRO DA DANÇA POR RELEVANTES SERVIÇOS PRESTADOS À DANÇA E RECEBEU O PRÊMIO ESPECIAL DÀ MESMA INSTITUIÇÃO EM 2019. FOI HOMENAGEADA PELA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RJ, PELA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO E TEVE SUA VIDA DOCUMENTADA NA SÉRIE DE FIGURAS DA DANÇA, PRODUZIDO PELA SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA.

AULA: HISTÓRIA DOS FIGURINOS

Como bailarina e analista de ballets de repertório, eu sempre estive atenta aos figurinos usados pelos estudantes que participam de festivais. Alguns são lindos, indiscutivelmente, seja porque o orientador cuidou de estudar o período em que se passa a obra encenada, o biótipo do aluno e sua idade, seja por uma intuição que podemos chamar de talento. Por outro lado, já vi trajes totalmente inadequados, que podem até prejudicar o candidato em seu desempenho técnico e artístico. 

Quando recebi a sugestão de ministrar uma palestra no YAGP abordando este assunto, me surpreendi ao constatar que outras pessoas têm a mesma preocupação. 

Como, pensei eu, abordar um tema tão abrangente e rico em duas horas? Comecei a pesquisar. Pensei no período romântico e nos ballets de Petipa. Quantas camponesas eu já vi usando trajes bordados com strass, obviamente, travando uma guerra com seus personagens. Camponeses ricos? Trata-se de um total non sense. 

No século XX, eu sabia que me esperava uma verdadeira master class de figurinos. Os “Ballets Russes” de Diaghilev haviam trazido para o Ocidente uma nova concepção de ballet, na qual todas as artes eram tratadas com a mesma importância, envolvendo figurinistas como Picasso, compositores como Stravinski, roteiristas como Cocteau. Gradativamente, o texto foi tomando forma. As peculiaridades e especializações que integram tudo o que diz respeito ao ballet, sobretudo a costura, se apresentou com clareza enquanto eu escrevia. 

À medida que o texto avançava achei que seria necessário fazer um resumo da própria história da moda que, até o romantismo, em grande parte, se confundiu com os trajes das encenações baléticas, exceção feita a personagens que representavam seres encantados. Afinal, dançamos obras que estão localizadas no Egito, na Grécia, em Roma, na Idade Média, Renascença, Barroco, pré-romantismo e romantismo, seguindo um processo evolutivo que o ballet acompanhou.

No século XX, a descoberta do petróleo nos trouxe uma contribuição inesperada e fundamental para o desenvolvimento da técnica. Surgiram os tecidos elásticos. Alguém já pensou nisto? Vídeos ilustram o texto e tornam a palestra mais viva e, certamente, mais bonita.

Por fim, pensei que seria interessante mostrar figurinos ligados ao próprio YAGP onde a beleza está na simplicidade, em contraste com outros nos quais o excesso de brilho tornam-nos vulgares, o oposto do chique, do elegante. Menos é mais. 

Basicamente, é este o conteúdo da palestra que espero, seja agradável e proveitoso. Sem esquecer, sempre, que muitas observações do texto são produto da bailarina que fui e das experiências que vivi no meu próprio corpo.

© 2019  YOUTH AMERICA GRAND PRIX BRASIL